Se uma determinada peça suscita questões como: -É uma pintura? -É uma fotografia? -É uma impressão?
E, para cada uma delas, a resposta é "sim", então, muito provavelmente, estamos perante uma obra de arte criada no âmbito da emergente Estética Digital.
É importante notar, contudo, que "estética" tem menos a ver com a aparência visual de um trabalho artístico e mais, muito mais, com uma rede complexa de regras perceptuais, de apresentação (e mesmo políticas). Mundialmente, tem-se falado e discutido muito sobre uma nova estética saída dos meios digitais. Como uma nova estética requere e é sempre baseada no que existiu antes, a Pop Art criou os alicerces para a Arte Digital bidimensional de hoje.
Características da Pop Art: - utilização de imagens originárias da publicidade, da fotografia, da banda desenhada, etc; - uma atitude objectiva e "desligada" na apropriação de estilos anteriores, permitindo até a inclusão de estilos divergentes na mesma obra. - imagens "massmedia" combinadas com áreas sólidas de cores. - utilização dos "ready-mades"
Estas e outras características, sugerindo a despersonalização da produção em massa, permitiu a aceitação dos processos mecanizados no campo das Fine Arts, estimulando o recurso a impressões para colagens. No início dos anos 70, a Pop Art parece ter chegado ao fim da linha. No entanto, as gerações que se seguiram foram e continuam a ser bastante influenciadas. Nenhuma delas (Minimalismo, Op Art, Fotorrealismo, Instalação, Conceptualismo, Ambiental, Video Art, etc) teria sido possível sem incorporar alguns aspectos da Pop Art.
Evocando novamente algumas das características da PopArt, torna-se evidente que a tecnologia digital veio permitir a aquisição fácil de materiais (visuais, sonoros, etc). Actualmente, torna-se, de facto, possivel para o artista (visual, escritor, designer, realizador, músico, etc) sentar-se frente a um único aparelho e manipular uma variedade de materiais para desenvolver o seu trabalho.
Esta, parece ser uma questão levantada frequentemente por um número reduzido de "cabecinhas pensadoras" do meio artístico, por um número (reduzido) de artistas, apreciadores, críticos de arte e demais satélites. A restante percentagem parece sofrer da sindrome que incapacita perante a ligação de ambos os conceitos (arte e digital) e tem, portanto a vida bastante facilitada neste sentido.
Numa abordagem rápida e clara, a arte digital refere-se à arte gerada ou produzida (por/através de) um meio digital (como o computador) e estende-se actualmente a todas as artes: música, artes visuais, cinema, etc. etc. etc.
Existe a ideia generalizada de que produzir arte digitalmente não exige quaisquer conhecimentos artísticos, habilidade, talento - ou não fosse o computador uma máquina inteligente, capaz de produzir verdadeiros milagres visuais, auditivos, etc. No entanto, a arte por computador está entre nós há mais de trinta anos. As coisas levam o seu tempo. Sempre levaram, se olharmos para a longa história da Arte. Uma história marcada por resistências, receios, desconhecimento inicial seguido por adesão frenética e generalizada a técnicas e estilos, que conduziram inevitavelmente a uma cadeia de "...ismos".
Após trinta anos, é um facto que a arte criada digitalmente continua a ser considerada "inferior" relativamente à arte produzida através de meios tradicionais (como pincéis, lápiz, tintas, telas). Porquê? Há trinta anos!!!? Bolas! Já ouve tempo de absorção suficiente. Porque é que tanta gente continua numa espécie de ignorância? Podemos perguntar-nos. A resposta parece residir no próprio termo "Desconhecimento". Não se sabe como é feita e, além disso, a Humanidade sempre atribuiu às suas criações tecnológicas recentes capacidades divinas. O computador é, portanto, uma especie de divindade. Logo, ele faz tudo. Logo, o artista só precisa carregar no botão e, voilá, saem obras em massa, tal e qual como numa fábrica de salsishas . A arte quer-se difícil e morosa... Pura insanidade e desconhecimento.
Ninguém questiona se a escrita do escritor X é inferior porque ele utilizou um processador de texto em vez da tradicional caneta ou mesmo máquina de escrever. Porque é que, por exemplo na pintura, as coisas ainda estão como estão?
Eu digo e sabe-se "que a Arte nada tem a ver com as ferramentas que são utilizadas, mas sim com a capacidade do artista de expressar conceitos, sentimentos, ideias através de um conjunto de cores, texturas, linhas, formas, sons, gestos, palavras - composições. Esta ideia de "inferioridade" da arte criada digitalmente, portanto, não faz qualquer sentido, em nenhum sentido.